domingo, 28 de novembro de 2010

Rio, Rio, Rio, gosto de você

Gostaria de ser poeta. Se assim fosse, faria um poema como o do Mário de Andrade, só que o coração ficaria sepultado no Rio, pq é carioquíssimo. E como esse coração carioca sofreu nos últimos dias. Não consegui me afastar do computador, acompanhando a guerra na minha cidade 'adotiva'.

As emoções se misturavam: esperança, saudade, desconfiança, medo. Tudo junto, misturado, sovado e amassado.

Ver a polícia na entrada do morro é sempre preocupante, pois nunca se sabe se polícia é polícia ou se é bandido. Assim aprendi nos meus primeiros meses como carioca. Também aprendi que governante carioca só faz alguma coisa na favela quando a zona sul teme que a favela 'vá para o asfalto'.

E daí chega a confusão: ônibus e carros queimados, caos, pânico, insegurança. Cariocas lêem isso como: 'o Estado quebrou algum 'acordão' e os traficantes estão retaliando'. E continuam a vida, tentando ignorar o caos e o pânico, esperando o próximo 'acordão' entre Estado e traficantes. E continuam a vida, que não é deles: é fatiada e manipulada por esses dois grupos de, pq não dizer, bandidos.

Sempre foi assim. Até a última quinta-feira. 'Puliça' na Vila Cruzeiro? Vão invadir? Tanques? Guerra? Então, chega a imagem dos bandidos fugindo e de uma invasão 'tranqüila'. Ah! O coração se encheu de uma satisfação selvagem ao ver bandidos fugindo. Gente, BANDIDO FUGINDO! Como esperamos por esse momento. E a 'puliça' não atirou!! Como assim???!!! A 'puliça' sempre atira, sempre passa do limite de cumpridora da lei!

'Homens de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpos no chão'

Uia! Isso não aconteceu! Será que estou vendo o fim do mundo? Apocalipse NOW?!!

E uma série de imagens me deixa mais e mais espantada. População a favor da 'puliça'? Como assim, Bial?

A sementinha da esperança começa a brotar nesse coração sofrido. A cabeça tenta sufocar, matar arrancar: Nada vai mudar. Isso é cenário. Isso é show. Alguém quer alguma coisa. O que está por trás disso? A cabeça, fria e analítica, quer evitar que o coração, essa entidade que teima em ter esperança, sofra. Mas não tem jeito.

Cabeça diz: Agora estão pro Morro do Alemão; você sabe o que isso significa: carnificina, inocente morrendo, mais caos. Coração revida: vc não vê que está tudo diferente? Vc não vê que entraram na Vila Cruzeiro com um número baixo de mortos e feridos?

Morro do Alemão invadido em 2 horas. Ãh? Como assim, Bial? 1 morto. Ãh? Traficante se entregando sorrindo. Ãh?Ãh?Ãh? Não, não. Alguma coisa está errada. Ah! - diz o coração - eu devia ter escutado a cabeça... isso tá esquisito.

Hoje, o estado de espírito é confuso. Coração está suspenso. Cabeça trabalhando a mil. Só nos resta perguntar: E agora, José?

Um comentário:

  1. Clap Clap Clap!
    Vc tem mesmo alma carioca, é assim que nos sentimos, são esses os questionamentos.
    Por instantes me perguntei:
    - Ué, eu quem escrevi isto? rs
    Parabéns pelo texto, mandou mto bem, tiaaa!
    Bjus

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