quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Até onde se indignar

Ontem passei o dia na net. Acompanhei a repercussão - via Facebook - da polêmica dos tuiteiros preconceituosos.

Enquanto uma parte se indignava, uma outra parte minimizava. Aqueles que minimizavam o faziam por acreditar que esse pensamento é de uma pequena parte - não representativa - da população. Minha primeira pergunta: será que é uma pequena parte mesmo? Será que a eleição não foi só um estopim para que todo esse preconceito aflorasse? A menina tuiteira 'apenas' disse (escreveu) publicamente o que achava. Vários outros não se atrevem a explicitar o preconceito, embora o tenham. Cansei de ouvir esse discurso de 'o Brasil sem o Nordeste seria muito melhor', por isso tendo a achar que a parcela da população não é tão pequena assim. Uma outra parte argumentava que isso é coisa de adolescente e não se deve levar a sério, afinal, trata-se de Brasil e, além da pizza, tudo ia acabar em capa de Playboy.

Em ambos os casos, 'pregava-se' não se importar. Não é nada. Será? Não é assim que todo movimento começa pequeno? E se não há oposição, pode crescer muito rápido? Será que a história já não nos ensinou isso?

Sim, estou traçando paralelos com minha realidade. Comparo esses comentário tuiteiros ao movimento neonazi aqui na Alemanha. A diferença é que o movimento neonazi já é organizado por aqui: há partido político, eles elegem representantes, etc. Os tuiteiros preconceituosos só deram um sinal de que estão lá, dispostos a serem representados por um partido. Na briga eleitoral, vale tudo. Os tuiteiros são títulos eleitorais fáceis de conseguir e nem é tão difícil assim. Basta lançar a campanha. Já existe um movimento relativamente grande chamado 'O Sul é meu País' prontinho a fundar um partido e começar a ganhar corpo político. E muitos integrantes (não estou dizendo todos, mas muitos) usam exatamente o mesmo discurso dos tuiteiros.

Quando isso acontecer, as pessoas vão se indignar: como assim? Como pôde isso acontecer? Brasil é uma merda mesmo.
Não. Brasil não é uma merda. Ao minimizarmos manifestações como essa, estamos apenas fortalecendo e dando espaço para que isso aconteça. A responsabilidade é nossa.

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