segunda-feira, 27 de abril de 2009

Universo virtual

Oi, pípol...

Andei sumida, eu sei... Mas é que estava mergulhada no mundo virtual. Perdi algumas horinhas (hahahahaha eufemismo) jogando The Sims.

Ah! Quando a realidade se torna insuportável, nada melhor do que se refugiar no mundo virtual. Lá sou amiga do rei, lá coloco a mulher que quero na cama que escolherei! Hahahahaha

Brincar de Deus é ótimo. Criei várias famílias e fui escrevendo a história de cada um. Intrigas, desilusões, separações, casamentos... tudo isso eu criei. São meus. Minha obra. Vou criando personagens e desenrolando dramas. Os recursos ainda são pequenos e o jogo é ainda muito puritano (deviam fazer uma versão adulta dos Sims!), mas é muito interessante e prazeiroso ficar brincando com os destinos dos Sims.

Tenho uma amiga virtual, a Luana, que também adora os Sims. Só que ela não tem coragem de provocar intrigas e desilusões. Hahahahaha... eu ATÓRON fazer isso. Criei um Sim que ficou noivo de outra (Samantha Bull). Esse Sim (Roland Bull) saiu de férias com uma amiga (Silvie Exotic) e a engravidou na viagem. Hahahaha... Daí ele foi morar com ela, ainda noivo da outra. Fiz a Samantha pegar os dois em flagrante e romper o noivado. Daí fiz com que ela se mudasse para uma casa ao lado de um Don Juan. Hahahaha. Me divirto de montão aprontando essas coisas.

É, eu sei que eu deveria procurar um psicanalista. Mas, enquanto isso não acontece, eu vou criando a minha novela no mundo virtual.

É possível

Oi, pípol

Acabei de ver um vídeo no Youtube sobre Susan Boyle, uma inglesa que participou do Britains got talent, um programa semelhante ao Ídolos no Brasil e ao Deutschland sucht den Superstar. Claro que me emocionei, mas não é a primeira vez: já tinha acontecido antes com Paul Pott.

Minha pergunta é: por que os britânicos conseguem fazer esse tipo de programa com qualidade e outros países não? Eu acompanhei pelo Youtube alguns 'capítulos' do BGT (Britains got talent) e o que percebi é que realmente os participantes são sérios. Quanto ao júri, naja, a loira é muito exagerada e as caras dos homens são também bem estudadas. Mas tão diferente do Dieter Bohlen e da versão alemã do programa! Aqui, esse programa só serve para as pessoas rirem dos participantes. Acho uó eles divulgarem a pré-seleção e rirem dos candidatos. Humor negro misturado com vergonha alheia. Não assisto.

Mas os ingleses conseguiram. Além de Pott e Boyle, há outros talentos revelados, como por exemplo a menina Connie Talbots (de 6 anininhos! Linda!), o garoto George Sampson (que dança muuuito!), entre outros. Afinal, o que os ingleses têm que nós não temos?

Detalhe: tantos Paul Potts como Susan Boyle nunca chegariam a uma carreira artística por não corresponderem ao ideal estético do que se espera de um Superstar. Mas talento é talento. Eles merecem! Palmas aos feios e talentosos! Viva a arte!

P.S.: Coloquei todos os vídeos nos links ao lado.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ah! Nada como uma estória bem contada...

Oi, pípol!

Acabei de ler Harry Potter - pela nonagésima-quinta vez!

Li todos os sete livros seguidos. Foi uma delícia reler. Como sempre disse, adoro uma estória bem-contada. E Harry Potter é, definitivamente, uma estória bem-contada!

Seria exagero classificar a obra como uma obra-prima literária. Sequer ouso colocar-lhe o rótulo de literatura. Mas que é prazeirosa, isso é.

Como vocês sabem, fiz Letras. Tive até uma chance de ingressar pela literatura (o que muito me honrou!), mas me decidi pela lingüística. Sabem por quê? Porque ao se tornar crítico literário, você quase que abdica do prazer de ler por ler. Sempre precisa ter o pé atrás, sempre precisa julgar, nunca pode se deixar levar pelo prazer. Não. Definitivamente seria uma crítica literária medíocre, pois me deixo arrebatar mesmo.

Como no caso de Harry Potter. Acabei, há apenas algumas horas, o último livro. Confesso que ainda estou tomada pela atmosfera potteriana: me sinto em Hogwarts; sinto que se virar a cabeça, verei corujas me trazendo cartas; quase que sinto a presença de Dumbledore; tenho ainda a sensação de que, a qualquer momento, verei entrar pela porta Rony e Hermione, discutindo por qualquer bobagem. Hehehehe...

Não há como negar: meu personagem favorito é Dumbledore. O velho diretor de Hogwarts, uma nova roupagem de Merlin, sempre me encantou. Há tantas frases dele das quais gosto e que exprimem também meu modo de pensar, que nem ouso enumerá-las. Dumbledore é a representação da sabedoria profunda. Daquela sabedoria que consegue ver, através da realidade, a força-motriz que gira o mundo e coordena forças que não controlamos. Humano até seu último fio de cabelo, é sabio suficiente para se olhar no espelho e ver exatamente a imagem que lhe é apresentada. Hehehehehe... acho que finalmente achei um guru! Hahahahaha

Sempre gostei desse universo bruxo. Quando tinha 15 aninhos, li, pela primeira vez, as Brumas de Avalon (preciso recomprar esses livros... como sempre, emprestei não sei pra quem e a pessoa não me devolveu!). Me lembro de procurar Avalon por entre as nuvens durante dias. Embora já trabalhasse na época, não consegui desgrudar do livro e perdi algumas noites de sono. É, eu sei: outra obra que não pode ser considerada literária. É apenas outra estória bem-contada.

Mas Harry Potter é um pouquinho diferente. Muitos não conseguiram passar pelos 2 primeiros livros e saem por aí, criticando a obra. Mal sabem eles que Harry Potter 1 e 2 são apenas uma pequenina parte da estória. Os livros 1 e 2 narram apenas a descoberta por Harry de um novo mundo. É o encantamento, o arrebatamento, a esperança, a ingenuidade. A partir do terceiro, as coisas se tornam mais sombrias. No quarto, você se desespera. No quinto, você acha que não pode piorar. No sexto, tem a certeza de que vai infartar. No sétimo, apesar de entender muito mais (e também de se decepcionar com algumas partes), você fica curioso. O ciclo se fecha, mas você continua querendo mais. Hehehehe

Há ainda outras críticas. Milhões de críticas. Mas os críticos são chatos mesmo. Hehehehe. Harry Potter é produto da sua época. Não pode ser lido como quem espera ler Goethe. Primeiro, porque não é 'nobre literatura'. Segundo, porque foi feito para jovens da nossa época: época rápida, visual, cinematográfica, dinâmica. O mundo gira mais rápido nesse nosso tempo. Informações se espalham em segundos. Como pedir que uma obra para o universo juvenil (atenção: Harry Potter não é obra para crianças, pelo menos a partir do terceiro livro!) se concentre na contemplação? O mote do nosso tempo é ação. E a autora de Harry Potter entendeu isso muito bem.

Além de imprimir um ritmo alucinante à sua estória, a autora não se esquece de abordar temas bem atuais na nossa sociedade. O papel da imprensa e da manipulação governamental impregnam o livro a partir do 4o. episódio. Referências a ditaduras permeiam o livro: desde o ideal de Voldemort (Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado) de criar um mundo onde os bruxos 'puros' dominem até a referência clara a Salazar (o ditador português. Não se esqueçam que a autora morou em Portugal). O fato de se usar como critério bruxo puro = bruxo bom evoca claramente o nefasto incidente nacional-socialista alemão. Está tudo aí, num livro para crianças!

Voltei!!

Gentem,

voltei!

Tornei público um post que estava escrevendo, mas a data saiu como 4 de abril. Não deixem de ler! Hehehehehehe

Beijos saudosos

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Só para avisar...

Gentem,

estou com visitas. Não me esqueci do blog não. Mas está difícil escrever tendo visitas em casa. Só para avisá-los.

Omo vocês.

sábado, 4 de abril de 2009

Partidos políticos na Alemanha

Oie!

Estive fora por um tempo... volto hoje e com tristeza comunico que o sol nos abandonou aqui nas terras germânicas. Chuva, friozinho... ai, ai...

O meu grande e idolatrado amigo Celso (Salve, Salve!) me perguntou sobre os partidos políticos alemães. Bom, eu vou escrever sobre o pouco que sei aqui. Qualquer um pode complementar ou corrigir (farei erratas!). Afinal, estamos numa democracia!

Sim, vivemos numa democracia. E como a democracia dá trabalho! Prova disso é a Alemanha. No Congresso estão representadas várias minorias e à cada lei a ser aprovada ou medida a ser tomada todos os representantes dessas minorias se manifestam, defedendo os seus interesses, o que torna a coisa beeem vagarosa.

O sistema aqui é parlamentar. Ou seja, o chefe de governo é indicado pelo partido que tem a maioria no congresso. Claro que esse chefe é pré-definido, ou seja, você sabe de antemão que se votar no partido A, estará votando no candidato A. Existe um presidente, mas é só pra inglês ver (desculpa, falo mesmo!).

Pois bem, quantos partidos há na Alemanha? Os maiores são CDU (Unidão Democrática Cristã) e SPD (Partido da Social-Democracia Alemã). Em terceiro lugar (quesito número de partidários e cadeiras eleitas) é o FDP (Partido Democrata Liberal ou Liberal Democrata, como queiram. Também podem adaptar a sigla à realidade brasileira: Filhos Da Puta. Não fica muito longe! :D Hehehehe). Um capítulo à parte é o Die Grünen, os Verdes. Partido ecologista, não-conservador, aberto. Então vêm os dois extremos: Die Linke Partei (Partido da Esquerda - radicais de esquerda, pra falar a verdade) e representando a extrema direita Die Republikaner e NPD (Republicanos e Partido da Nacional-Democracia Alemã. Abuso isso de usarem o nome Democracia em vão! Vão arder no mármore do inferno). Atualmente um partido bem pequeno está adquirindo força: Freie Wähler (confesso que não sei traduzir isso. Algo como Eleitores Livres).

Vamos começar pelos extremos porque é mais fácil explicar quem são.
A esquerda representada pelo Linke é a esquerda radical, que defende o socialismo a qualquer custo. São extremamente renegados por aqui. Nenhum partido quer fazer alianças com o Linke. Recentemente houve um episódio na eleição estadual de Hessen (estado onde fica a cidade de Frankfurt) em que o SPD obteve uma maioria absoluta muito apertada, o que inviabilizaria sua atuação , precisando recorrer a alianças. A candidata do SPD, Andrea Ypsilanti, no desespero para formar maioria, disse que se se aliaria ao Linke: escândalo nacional. Dentro do próprio SPD houve muitos (senão, a maioria) que ficaram contra a postura de Ypsilanti. Ela não conseguiu resolver o problema, quase um ano de ingovernabilidade no estado. O candidato do CDU, Roland Koch (http://www.roland-koch.de/ ), um político super-conservador, ganhou as próximas eleições com grande vantagem e o SPD perdeu muita influência, em todo o país.
Os Republicanos são extremamente conservadores e prometem melhorias na qualidade de vida dos alemães com a expulsão dos estrangeiros. Na época eleitoral, é comum ver cartazes com os dizeres 'Ausländer raus' ('Fora estrangeiros') coroados com a sigla deste 'nobre' partido. Sinceramente, não sei a diferença entre Republikaner e NPD: os dois pregam a mesma coisa. Só que um não tem coragem de colocar Nacionalismo no nome. NPD é o partido neonazista. Precisa explicar mais??

Freie Wähler é uma incógnita. No princípio era uma 'Verein' (clube, associação) que virou partido político. Quer se mostrar diferente de tudo que existe (CDU, SPD e FDP) mas não tem consistência ideológica a meu ver. Um escândalo surgiu há poucos dias: descobriram que neonazis se filiaram ao partido. Hehehe... Agora estão discutindo o que fazer: se expulsam ou não os nazis.

Nossos queridos Grüne, Verdes, o partido mais simpático da política alemã, a meu ver. Die Grünen são os ecologistas, uma esquerda esclarecida, muito liberais em termos sociais, uma opção que vem se tornando disputada por aqui. Os grandões (CDU e SPD) se aliam, cada vez mais, aos verdinhos. Joschka Fischer é o seu representante mais conhecido (http://de.wikipedia.org/wiki/Joschka_Fischer ). Infelizmente, ainda não são grandes suficiente como CDU e SPD. Mas já conseguiram o mesmo 'status' do FDP. UHU! Mas, como nem tudo é perfeito, é comum ver os eco-radicais tentando colocar as manguinhas de fora... hehehehehehehe

Daí vem o centrão: SPD, CDU, FDP. Como centro é centro, vou fazer uma associação APROXIMADA com os partidos brasileiros para que vocês tenham uma noção das diferenças. Mas, deixo bem claro: não é a mesma coisa! Os partidos aqui são mais consistentes do que no Brasil e é raro que um político mude de partido (acontece, mas é raro!)
FDP seria mais ou menos os liberais, no Brasil. Defende claramente o lado do patrão, do empresariado. SPD seria um PSDB, levemente melhorado, pois aqui vigora a fidelidade partidária e alguns políticos que se dizem PSDB realmente não poderiam engrossar as fileiras de um partido sério por aqui. CDU é como PFL, mas também melhorado: pelo menos eles definem claramente o que querem, embora as definições tenham contornos bem imprecisos, quase borrados. hahahahaha

Mas, verdade seja dita (e eu como boa libriana, prezo muito o julgamento imparcial) a política na Alemanha é levada mais a sério do que é no Brasil. Não que seja o ideal, mas certos comportamentos cara-de-peroba-do-campo não são encontrados por aqui. Herr Stoiber, ex-'governador' da Bavária (sim, eu falo Bavária e daí??), sumiu do mapa após suas várias trapalhadas. Herr Beckstein (outro ex-governador bávaro, trapalhão como ele só, xenófobo, parcial e %$#! ao cubo, também sumiu do mapa - se eu fosse religiosa, diria graças aos céus. Mas como sou mais bruxa que crente, digo graças aos poderes do inexistente Merlin!). Quem nos dera que o mesmo acontecesse com os Malufs e Collors da nossa política, que sempre se reerguem das sombras :(

Embora a contemplação da política seja algo extremamente desanimador, ainda continuo acreditando na democracia como a melhor forma de governo. Não sei se meu ódio ao autoritarismo me faz tão generosa a ponto de aceitar um partido como NPD. Por um lado, entendo que fica mais fácil controlar esse partido sendo ele oficial. Por outro lado, a revolta me sobe à garganta quando penso que eles são livres para propagar livremente certos conceitos que aterram minha alma iluminista e minha firme convicção de que os homens são iguais.

Fica aí aberta a questão...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Da série: Alemanha é um paraíso

Ja! Ja! Ja!

Alemanha é um paraíso. Tudo funciona aqui, vale a pena pagar impostos porque tudo volta pra você, as pessoas são educadas, não tem analfabeto, hospitais e médicos são pagos com o imposto do cidadão, ensino público gratuito de qualidade. Não é mesmo, gente????

Não! Sinto informar aos brasileiros com síndrome de vira-lata e para aqueles que adoram um óculos cor-de-rosa que infelizmente a Alemanha NÃO é um paraíso.

Sim, hoje Tonks está particularmente puta da vida. O partido neonazista (atenção Paulas O. da vida, a sigla é NPD) está falido. Seria uma boa notícia SE essa merda se afundasse de vez e sumisse da face da terra. Mas não é o que vai acontecer. Descoberta, pela segunda vez, as falcatruas no balanço do partido, que tem de pagar 2 milhões de euros até primeiro de maio, o mais provável é que tudo acabe em batata. Eles não vão pagar, vão fechar o partido e abrir um outro. E daí começam a receber dindim do governo, como todo outro partido recebe. Ou seja, EU vou acabar financiando essa merda. Revolta total.

A Alemanha sempre foi o único país comunista que deu certo :D. O governo sempre ajudou desempregados e pessoas de baixa renda a sobreviverem. Mas, depois da implantação da União Européia, o cinto começou a apertar por essas bandas. Alemanha e França foram os principais financiadores da unificação e a Alemanha, ainda de quebra, assumiu o leste alemão - comunista, de nome - tendo de reconstruí-lo todo. Trocando em miúdos: o dindim acabou.

E o que se faz quando o dindim acaba?? Corta-se gastos. Onde? Em tudo que se relaciona com o povão, claro. Povo é povo. Seja alemão ou brasileiro, é ele quem paga as contas. Enquanto o NPD vai recebendo $$ pra existir, já há milhares de crianças alemãs indo almoçar em instituições de caridade, como Caritas, por exemplo. Os jornais não param de noticiar que a pobreza está aumentando. E, ironia do destino, os pobres tendem apoiar cada vez mais o NPD.

A grande diferença entre pobre brasileiro e pobre alemão é a postura diante da vida. Pobre brasileiro se ferra inteiro, mas abre uma cerveja e faz um churrasquinho com carne de segunda e a vida sorri de novo. Pobre alemão não. Ele se revolta contra o governo que não dá o que ele precisa pra viver. E o governo está cortando cada vez mais. Atenção: bomba-relógio social detectada.

Uma outra conseqüência da falta de dinheiro alemã é o aumento de impostos. Essa medida afeta principalmente a classe média (também uma parte do povão que paga sempre a conta), já que os ricos se mudam pra Suíça, onde a carga tributária é bem menor (vide Schumacher). Só o imposto de renda aqui pode chegar aos 50%. O imposto sobre produtos 19% (aqui eles só tem um imposto sobre produtos, não como no Brasil que isso se divide em ICMS, ISS e um monte de Is).
E, pra completar, arrumar emprego é tarefa hercúlea. Se você for estrangeiro então, arrumar emprego passar a ser uma tarefa de Atlas. Enquanto isso, o NPD segue bradando que os causadores da crise econômica são os estrangeiros, que vêm para cá 'roubar' os empregos dos nativos. Blablabla.

A qualidade dos serviços médicos vem despencando. A saúde NÃO É gratuita! Todo mundo tem que ter plano de saúde. E não é nada barato. Mesmo assim, quando vc vai ao médico, ainda se depara com uma série de 'exceções' que o plano não paga. Ai, meus sais... daí vem brasileiro com óculos cor-de-rosa falar que aqui é o paraíso. Humpf.

Não se iludam, brasileiros-pseudo-assimilados: os neonazis não vão te perguntar se a Alemanha é o paraíso ou não: se tiverem chance, eles te metem porrada. Você não é diferente de um turco, embora você tenha certeza disso.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Autoritarismo

Se tem algo na vida que ODEIO é autoritarismo. Desde menina sempre me rebelei com o autoritarismo (que o diga minha mãe, com a qual eu brigava diariamente). Estudar em escola católica não ajudou muito, só piorou essa minha rebeldia contra tudo que seja autoritário - se bem que sempre fui ótima aluna, mas os traumas desses anos de escola católica, vou levar pro resto da vida!

Na fase adulta, tive muitos problemas com empregos também, principalmente com chefe burro mandando eu fazer alguma coisa. Era briga na certa! Sofri muito com isso, até começar a trabalhar por conta. Era mais livre, mas tinha de ralar pra caramba pra sobreviver. Ou seja, tudo na vida é uma questão de escolha. Se pudesse escolher hoje, voltaria pro ambiente acadêmico, que é onde me sinto mais à vontade: bons professores - no Brasil - não mandam, orientam! Morro de saudades da minha querida Malu.

Agora se vc quiser ver a Tonks realmente brava, basta defender ditaduras. Subo nas tamancas no ato! Não entendo quem possa defender a falta de liberdade de expressão, de crítica. Autoritarismo é uma questão de posicionamento no mundo: o indíviduo se acha no direito de mandar em outros. Está presente no macro e no micro-cosmo. Enfim, é uma erva daninha que é necessário remover de qualquer jeito. E quando alguém tenta mandar em mim, viro bicho.

Na Alemanha, sinto que há um autoritarismo sutil, escondido, camuflado. Acho uó do borogodó o tanto que o Estado alemão influi na sua escolha. Um caso típico é o das escolas aqui: um professor - portanto, representante do Estado - pode decidir o futuro do seu filho! Quer coisa mais autoritária do que isso? Esse é um dos piores tipos de autoritarismo: aquele que é difuso, que não possui um símbolo, que não tem uma pessoa que centraliza as ações.

Compare com o caso do louco do Irã, por exemplo. Nesse caso, é mais fácil identificar um alvo: ele representa todo o sistema. Pode-se unir forças contra um inimigo; fica mais fácil uma mobilização. Porém, a partir do momento em que esse símbolo cai, torna-se difícil combater um sistema autoritário.

Isso aconteceu no Brasil, depois da ditadura. Toda aquela efervescência de idéias, atos, até mesmo combatividade artística, perdeu-se na difusão. As pessoas ficam como barata tonta, vendo seu objetivo dispersar-se e com isso dispersar também a mobilização contra tal objeto. Acabou a repressão, mas começou a opressão.

Mas o autoritarismo continua lá, como um fantasma, sem forma e sem consistência física que te possibilite lutar, dar uma porrada, fazer algo de concreto. Vc precisa começar a lutar no campo das idéias e fazer com que as pessoas reconheçam de novo que há inimigo. Uma meleca.

Quer um exemplo bem prosaico de autoritarismo? Comunidades de orkut. Hahahahaha... quantas vezes não vimos aquele indíviduo que é um nada na vida real, se tornar O chefe em comunidades de orkut?? Hahahaha... seria engraçado, senão fosse extremamente trágico. Quer coisa mais decadente do que exercer seu autoritarismo em comunidade de orkut? Mas existem muitos pequenos ditadores nessa gaiola das loucas, ternamente chamada de orkut (sempre digo que orkut é manicômio a céu aberto. Se eu fosse psicóloga, faria uma tese de doutorado com orkut. Hahahahaha). As técnicas usadas por esses ditadores virtuais são várias, e não diferem muito do conceito usado pelos grandes ditadores. A mais conhecida é a intimidação: eu tenho o poder de te calar a boca, ao te expulsar. Quer mais Ahmadinejad que isso? Haha Mas, o mais triste é ver pessoas se submetendo a isso já nesse micro-cosmo. Se aceitam intimidação de um moderador de orkut, como vão perceber e lutar contra as várias formas de autoritarismo??

Trabalho de formiguinha fazer as pessoas entenderem que o que vale pro micro, vale pro macro-cosmo. Lutar contra isso é trabalho diário e cansa, gente, ai, como cansa!