Ontem fiquei fora do ar. Além do caos causado pela neve, precisava de um tempo pra respirar.
Mas, hoje, voltei à minha rotina de ler jornais brasileiros pela net. Alguns pontos me chamara a atenção: 1) as notícias sobre o Rio estão diminuindo, o que significa que esse assunto não vende mais e que ficaremos sem saber o que está acontecendo; 2) Lula diz a Cabral: 'Obrigado por não negociar com quem não merece' e 3) oficiais das forças armadas estão descontentes com a 'indefinição' do seus papéis na ação carioca.
Ora, ora, ora... Que diminuam as notícias é algo totalmente natural: ações espetaculares vendem jornal. Ficar noticiando que o cotidiano policial (que deveria ser normal, mas no estado de coisas atual é exceção), não traz $$ a ninguém. O jeito vai ser continuar seguindo o vozdacomunidade*, o excelente trabalho de um adolescente que mora no Complexo do Alemão.
Quanto à fala de Lula. Falem os críticos de Lula o que quiserem, a verdade é uma só: o cara é muito carismático. Dessa vez, falou a coisa certa na hora certa. O problema é que não sei se acredito que não houve 'acordão'. O número de prisões foi muito pequeno, em vista da horda que chegou ao Complexo na quinta-feira, 25. Além disso, outro fato que faz as orelhas ficarem de pé é a pequena quantidade de cocaína apreendida, se comparada às toneladas de maconha. Ok, a favor da polícia pode-se afirmar que é relativamente claro que os traficantes esconderiam melhor a droga mais cara, mas, sabe como é, gato escaldado...
Oficiais das forças armadas estariam descontentes com seu papel na ação carioca. Tava demorando! Eu achei surpreendentemente (surpreendente = positivo) estranho a coalisão das esferas, ainda mais com as forças armadas se sujeitando às ordens do governo do Rio. Em outras ocasiões, isso não foi possível porque os chefes das polícias, o próprio governador e os oficiais das forças armadas ficavam discutindo sobre quem era realmente o chefe (Uga-Uga na cabeça!). Dessa vez, deu certo e fiquei surpresa. Tenho certeza que o principal articulador dessa coalisão foi o ministro Jobim. Mas, agora, os oficiais estão colocando as manguinhas de fora. Os argumentos que eles usam não são convincentes! Como assim um soldado vai se 'contaminar' com a polícia?? Não querem receber ordens do governador? Se foi ordem do governo federal, eles precisam obedecer. Ou será que não faz parte da política militar obedecer ordens? Na época da ditadura, eles obedeciam ordens sem pestanejar.
...tem medo de água fria.
* Não sei por que, mas o programa do blog não aceitou a arroba que vem antes do endereço do Twitter do René, o adolescente que dá notícias sobre o Complexo. Basta colocar o sinal gráfico antes do nome.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Pacificação na PM carioca já!!
Depois da tempestade, vem o terremoto.
Assim poderiam ser descritas as vidas dos moradores do Alemão e da Vila Cruzeiro. Como se já não bastasse todo o trauma de ser refém de bandido, de ter como cotidiano a imagem de homens armados, de ver tanques de guerra invadindo o lugar onde moram, agora a população desse lugares é obrigada a agüentar os achaques da famosa 'banda podre' da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A existência da banda podre é fato e precisa ser enfrentada. Vem dessa parcela de bandidos fardados toda a culpa pela desconfiança da população em relação à polícia. A expulsão desses indivíduos é urgente. Vamos aproveitar que o Estado está mandando bandidos para as cadeias e mandar aqueles que vestem farda junto! Pacificação na PM JÁ!
A situação na comunidade é caótica, claro. Não estou pregando que comecem a expulsar PMs a torto e a direito. É necessário averiguar, pois saber quem saqueou é complicado. Mas há casos em que, realmente, foram os bandidos de farda que saquearam, além do abuso de poder, também denunciado. Mas, a própria corporação sabe bem quem faz parte da banda podre.
Já que falamos de saques, vale a pena notar que a própria população da favela é responsável por uma parte deles. Depois de um dia, as casas dos traficantes perderam até o madeiramento usado nas piscinas. Tá, é mesmo complicado reprimir o saque à casa dos traficantes, mas deveria ser feito: quem saqueia casa de traficante, pode saquear a casa do vizinho também.
Enfim, são esses os problemas que deverão ser resolvidos através da reinserção da comunidade na sociedade. E como reinserção, chamo condições básicas de saneamento, pavimentação, implantação de postos de saúde e, principalmente, EDUCAÇÃO.
No caso dos saques feitos por moradores, só a EDUCAÇÃO dá jeito.
No caso dos bandidos fardados, só a CADEIA dá jeito.
Assim poderiam ser descritas as vidas dos moradores do Alemão e da Vila Cruzeiro. Como se já não bastasse todo o trauma de ser refém de bandido, de ter como cotidiano a imagem de homens armados, de ver tanques de guerra invadindo o lugar onde moram, agora a população desse lugares é obrigada a agüentar os achaques da famosa 'banda podre' da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A existência da banda podre é fato e precisa ser enfrentada. Vem dessa parcela de bandidos fardados toda a culpa pela desconfiança da população em relação à polícia. A expulsão desses indivíduos é urgente. Vamos aproveitar que o Estado está mandando bandidos para as cadeias e mandar aqueles que vestem farda junto! Pacificação na PM JÁ!
A situação na comunidade é caótica, claro. Não estou pregando que comecem a expulsar PMs a torto e a direito. É necessário averiguar, pois saber quem saqueou é complicado. Mas há casos em que, realmente, foram os bandidos de farda que saquearam, além do abuso de poder, também denunciado. Mas, a própria corporação sabe bem quem faz parte da banda podre.
Já que falamos de saques, vale a pena notar que a própria população da favela é responsável por uma parte deles. Depois de um dia, as casas dos traficantes perderam até o madeiramento usado nas piscinas. Tá, é mesmo complicado reprimir o saque à casa dos traficantes, mas deveria ser feito: quem saqueia casa de traficante, pode saquear a casa do vizinho também.
Enfim, são esses os problemas que deverão ser resolvidos através da reinserção da comunidade na sociedade. E como reinserção, chamo condições básicas de saneamento, pavimentação, implantação de postos de saúde e, principalmente, EDUCAÇÃO.
No caso dos saques feitos por moradores, só a EDUCAÇÃO dá jeito.
No caso dos bandidos fardados, só a CADEIA dá jeito.
domingo, 28 de novembro de 2010
Rio, Rio, Rio, gosto de você
Gostaria de ser poeta. Se assim fosse, faria um poema como o do Mário de Andrade, só que o coração ficaria sepultado no Rio, pq é carioquíssimo. E como esse coração carioca sofreu nos últimos dias. Não consegui me afastar do computador, acompanhando a guerra na minha cidade 'adotiva'.
As emoções se misturavam: esperança, saudade, desconfiança, medo. Tudo junto, misturado, sovado e amassado.
Ver a polícia na entrada do morro é sempre preocupante, pois nunca se sabe se polícia é polícia ou se é bandido. Assim aprendi nos meus primeiros meses como carioca. Também aprendi que governante carioca só faz alguma coisa na favela quando a zona sul teme que a favela 'vá para o asfalto'.
E daí chega a confusão: ônibus e carros queimados, caos, pânico, insegurança. Cariocas lêem isso como: 'o Estado quebrou algum 'acordão' e os traficantes estão retaliando'. E continuam a vida, tentando ignorar o caos e o pânico, esperando o próximo 'acordão' entre Estado e traficantes. E continuam a vida, que não é deles: é fatiada e manipulada por esses dois grupos de, pq não dizer, bandidos.
Sempre foi assim. Até a última quinta-feira. 'Puliça' na Vila Cruzeiro? Vão invadir? Tanques? Guerra? Então, chega a imagem dos bandidos fugindo e de uma invasão 'tranqüila'. Ah! O coração se encheu de uma satisfação selvagem ao ver bandidos fugindo. Gente, BANDIDO FUGINDO! Como esperamos por esse momento. E a 'puliça' não atirou!! Como assim???!!! A 'puliça' sempre atira, sempre passa do limite de cumpridora da lei!
'Homens de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpos no chão'
Uia! Isso não aconteceu! Será que estou vendo o fim do mundo? Apocalipse NOW?!!
E uma série de imagens me deixa mais e mais espantada. População a favor da 'puliça'? Como assim, Bial?
A sementinha da esperança começa a brotar nesse coração sofrido. A cabeça tenta sufocar, matar arrancar: Nada vai mudar. Isso é cenário. Isso é show. Alguém quer alguma coisa. O que está por trás disso? A cabeça, fria e analítica, quer evitar que o coração, essa entidade que teima em ter esperança, sofra. Mas não tem jeito.
Cabeça diz: Agora estão pro Morro do Alemão; você sabe o que isso significa: carnificina, inocente morrendo, mais caos. Coração revida: vc não vê que está tudo diferente? Vc não vê que entraram na Vila Cruzeiro com um número baixo de mortos e feridos?
Morro do Alemão invadido em 2 horas. Ãh? Como assim, Bial? 1 morto. Ãh? Traficante se entregando sorrindo. Ãh?Ãh?Ãh? Não, não. Alguma coisa está errada. Ah! - diz o coração - eu devia ter escutado a cabeça... isso tá esquisito.
Hoje, o estado de espírito é confuso. Coração está suspenso. Cabeça trabalhando a mil. Só nos resta perguntar: E agora, José?
As emoções se misturavam: esperança, saudade, desconfiança, medo. Tudo junto, misturado, sovado e amassado.
Ver a polícia na entrada do morro é sempre preocupante, pois nunca se sabe se polícia é polícia ou se é bandido. Assim aprendi nos meus primeiros meses como carioca. Também aprendi que governante carioca só faz alguma coisa na favela quando a zona sul teme que a favela 'vá para o asfalto'.
E daí chega a confusão: ônibus e carros queimados, caos, pânico, insegurança. Cariocas lêem isso como: 'o Estado quebrou algum 'acordão' e os traficantes estão retaliando'. E continuam a vida, tentando ignorar o caos e o pânico, esperando o próximo 'acordão' entre Estado e traficantes. E continuam a vida, que não é deles: é fatiada e manipulada por esses dois grupos de, pq não dizer, bandidos.
Sempre foi assim. Até a última quinta-feira. 'Puliça' na Vila Cruzeiro? Vão invadir? Tanques? Guerra? Então, chega a imagem dos bandidos fugindo e de uma invasão 'tranqüila'. Ah! O coração se encheu de uma satisfação selvagem ao ver bandidos fugindo. Gente, BANDIDO FUGINDO! Como esperamos por esse momento. E a 'puliça' não atirou!! Como assim???!!! A 'puliça' sempre atira, sempre passa do limite de cumpridora da lei!
'Homens de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpos no chão'
Uia! Isso não aconteceu! Será que estou vendo o fim do mundo? Apocalipse NOW?!!
E uma série de imagens me deixa mais e mais espantada. População a favor da 'puliça'? Como assim, Bial?
A sementinha da esperança começa a brotar nesse coração sofrido. A cabeça tenta sufocar, matar arrancar: Nada vai mudar. Isso é cenário. Isso é show. Alguém quer alguma coisa. O que está por trás disso? A cabeça, fria e analítica, quer evitar que o coração, essa entidade que teima em ter esperança, sofra. Mas não tem jeito.
Cabeça diz: Agora estão pro Morro do Alemão; você sabe o que isso significa: carnificina, inocente morrendo, mais caos. Coração revida: vc não vê que está tudo diferente? Vc não vê que entraram na Vila Cruzeiro com um número baixo de mortos e feridos?
Morro do Alemão invadido em 2 horas. Ãh? Como assim, Bial? 1 morto. Ãh? Traficante se entregando sorrindo. Ãh?Ãh?Ãh? Não, não. Alguma coisa está errada. Ah! - diz o coração - eu devia ter escutado a cabeça... isso tá esquisito.
Hoje, o estado de espírito é confuso. Coração está suspenso. Cabeça trabalhando a mil. Só nos resta perguntar: E agora, José?
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Até onde se indignar
Ontem passei o dia na net. Acompanhei a repercussão - via Facebook - da polêmica dos tuiteiros preconceituosos.
Enquanto uma parte se indignava, uma outra parte minimizava. Aqueles que minimizavam o faziam por acreditar que esse pensamento é de uma pequena parte - não representativa - da população. Minha primeira pergunta: será que é uma pequena parte mesmo? Será que a eleição não foi só um estopim para que todo esse preconceito aflorasse? A menina tuiteira 'apenas' disse (escreveu) publicamente o que achava. Vários outros não se atrevem a explicitar o preconceito, embora o tenham. Cansei de ouvir esse discurso de 'o Brasil sem o Nordeste seria muito melhor', por isso tendo a achar que a parcela da população não é tão pequena assim. Uma outra parte argumentava que isso é coisa de adolescente e não se deve levar a sério, afinal, trata-se de Brasil e, além da pizza, tudo ia acabar em capa de Playboy.
Em ambos os casos, 'pregava-se' não se importar. Não é nada. Será? Não é assim que todo movimento começa pequeno? E se não há oposição, pode crescer muito rápido? Será que a história já não nos ensinou isso?
Sim, estou traçando paralelos com minha realidade. Comparo esses comentário tuiteiros ao movimento neonazi aqui na Alemanha. A diferença é que o movimento neonazi já é organizado por aqui: há partido político, eles elegem representantes, etc. Os tuiteiros preconceituosos só deram um sinal de que estão lá, dispostos a serem representados por um partido. Na briga eleitoral, vale tudo. Os tuiteiros são títulos eleitorais fáceis de conseguir e nem é tão difícil assim. Basta lançar a campanha. Já existe um movimento relativamente grande chamado 'O Sul é meu País' prontinho a fundar um partido e começar a ganhar corpo político. E muitos integrantes (não estou dizendo todos, mas muitos) usam exatamente o mesmo discurso dos tuiteiros.
Quando isso acontecer, as pessoas vão se indignar: como assim? Como pôde isso acontecer? Brasil é uma merda mesmo.
Não. Brasil não é uma merda. Ao minimizarmos manifestações como essa, estamos apenas fortalecendo e dando espaço para que isso aconteça. A responsabilidade é nossa.
Enquanto uma parte se indignava, uma outra parte minimizava. Aqueles que minimizavam o faziam por acreditar que esse pensamento é de uma pequena parte - não representativa - da população. Minha primeira pergunta: será que é uma pequena parte mesmo? Será que a eleição não foi só um estopim para que todo esse preconceito aflorasse? A menina tuiteira 'apenas' disse (escreveu) publicamente o que achava. Vários outros não se atrevem a explicitar o preconceito, embora o tenham. Cansei de ouvir esse discurso de 'o Brasil sem o Nordeste seria muito melhor', por isso tendo a achar que a parcela da população não é tão pequena assim. Uma outra parte argumentava que isso é coisa de adolescente e não se deve levar a sério, afinal, trata-se de Brasil e, além da pizza, tudo ia acabar em capa de Playboy.
Em ambos os casos, 'pregava-se' não se importar. Não é nada. Será? Não é assim que todo movimento começa pequeno? E se não há oposição, pode crescer muito rápido? Será que a história já não nos ensinou isso?
Sim, estou traçando paralelos com minha realidade. Comparo esses comentário tuiteiros ao movimento neonazi aqui na Alemanha. A diferença é que o movimento neonazi já é organizado por aqui: há partido político, eles elegem representantes, etc. Os tuiteiros preconceituosos só deram um sinal de que estão lá, dispostos a serem representados por um partido. Na briga eleitoral, vale tudo. Os tuiteiros são títulos eleitorais fáceis de conseguir e nem é tão difícil assim. Basta lançar a campanha. Já existe um movimento relativamente grande chamado 'O Sul é meu País' prontinho a fundar um partido e começar a ganhar corpo político. E muitos integrantes (não estou dizendo todos, mas muitos) usam exatamente o mesmo discurso dos tuiteiros.
Quando isso acontecer, as pessoas vão se indignar: como assim? Como pôde isso acontecer? Brasil é uma merda mesmo.
Não. Brasil não é uma merda. Ao minimizarmos manifestações como essa, estamos apenas fortalecendo e dando espaço para que isso aconteça. A responsabilidade é nossa.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Quanto tempo
Caracoles! Minha última atualização foi em 2009!
[modo preguiça detected]
Não, mentira. Não foi preguiça. Foi saco cheio. Estava de saco cheio de tudo (e ainda estou, por isso já aviso: não sei quando surgirá um novo post!).
Quando isso acontece, me isolo. Simples assim. Não quero saber o que acontece lá fora, não quero saber de política mundial, não quero saber de problemas. Mas, neste momento, me deu uma vontade enorme de dividir alguma coisa com vocês.
Primeiro: minha satisfação em ver a primeira mulher eleita 'presidenta' no Brasil. E sucessora de Lula.
Por muito, muito tempo fiquei seriamente desencantada com o PT. Os escândalos de Zé Dirceu e Genoíno (nos quais votei por toda minha vida) me abalaram demais. Mas a segunda fase do governo Lula me surpreendeu positivamente: vi o primeiro governo que FEZ algo efetivo para os mais necessitados. E este governo trabalhou em duas direções: na barriga e na cabeça dos pobres. Na barriga, porque possibilitou sim uma melhor vida para os mais pobres; na cabeça, porque nunca vi um governo melhorar tanto as condições nas faculdades e, AO MESMO TEMPO, focar tanto no ensino técnico. Ensino técnico é algo fundamental para pessoas que não têm acesso ao ensino superior.
Puxando a sardinha pro meu lado: se contrastarmos a grande diferença que existe entre a USP (governo tucano) e alguma federal, vai dar pra entender sobre o que falo. Minha querida USP está um caco. E deverá continuar assim, pois, por mais que goste do Alckmin, sei que educação não é prioridade do PSDB.
Fiquei bem feliz que o Serra não ganhou. O momento é excelente no Brasil e é hora de investir em áreas essenciais (como boa 'esquerdista', comida e educação fazem minha cabeça).
Segundo: fiquei ATERRORIZADA com os comentários preconceituosos sobre nordestinos que vi rolando no twitter. Sempre achei que isso estava mudando, que o preconceito estava diminuindo. Dou a mão à palmatória. NÃO É ASSIM.
Os comentários que li são dignos de qualquer neonazi daqui. São até piores, porque aqui eles não têm o direito de colocar pra fora a sujeirada do pensamento deles, como aconteceu ontem no twitter.
Frases do tipo 'Faça um favor para São Paulo, mate um nordestino' nunca, nunca, nunca poderiam e/ou deveriam ser escritas. Essa frase demonstra o que há de mais abjeto no ser humano, incita a violência, revela quão baixa uma pessoa pode ser. Repúdio total.
O problema é que esse foi um crime virtual e é extremamente difícil punir esses covardes que se escondem atrás de um computador.
Quem me dera ter poderes divinos nessa hora. Transformaria cada uma dessas pessoas num jegue e daria de presente a um nordestino.
Esse tipo de coisa é que me cansa do mundo.
Aproveitem que estou indignada. E quando estou assim, escrevo. Mas quando vejo que não consigo mudar nada, caio na apatia. A desilusão e a incapacidade de mudar as coisas matam os sonhos, envenenam a alma.
Um beijo a todos vocês. Bom estar de volta. Só espero que a apatia não me vença de novo.
[modo preguiça detected]
Não, mentira. Não foi preguiça. Foi saco cheio. Estava de saco cheio de tudo (e ainda estou, por isso já aviso: não sei quando surgirá um novo post!).
Quando isso acontece, me isolo. Simples assim. Não quero saber o que acontece lá fora, não quero saber de política mundial, não quero saber de problemas. Mas, neste momento, me deu uma vontade enorme de dividir alguma coisa com vocês.
Primeiro: minha satisfação em ver a primeira mulher eleita 'presidenta' no Brasil. E sucessora de Lula.
Por muito, muito tempo fiquei seriamente desencantada com o PT. Os escândalos de Zé Dirceu e Genoíno (nos quais votei por toda minha vida) me abalaram demais. Mas a segunda fase do governo Lula me surpreendeu positivamente: vi o primeiro governo que FEZ algo efetivo para os mais necessitados. E este governo trabalhou em duas direções: na barriga e na cabeça dos pobres. Na barriga, porque possibilitou sim uma melhor vida para os mais pobres; na cabeça, porque nunca vi um governo melhorar tanto as condições nas faculdades e, AO MESMO TEMPO, focar tanto no ensino técnico. Ensino técnico é algo fundamental para pessoas que não têm acesso ao ensino superior.
Puxando a sardinha pro meu lado: se contrastarmos a grande diferença que existe entre a USP (governo tucano) e alguma federal, vai dar pra entender sobre o que falo. Minha querida USP está um caco. E deverá continuar assim, pois, por mais que goste do Alckmin, sei que educação não é prioridade do PSDB.
Fiquei bem feliz que o Serra não ganhou. O momento é excelente no Brasil e é hora de investir em áreas essenciais (como boa 'esquerdista', comida e educação fazem minha cabeça).
Segundo: fiquei ATERRORIZADA com os comentários preconceituosos sobre nordestinos que vi rolando no twitter. Sempre achei que isso estava mudando, que o preconceito estava diminuindo. Dou a mão à palmatória. NÃO É ASSIM.
Os comentários que li são dignos de qualquer neonazi daqui. São até piores, porque aqui eles não têm o direito de colocar pra fora a sujeirada do pensamento deles, como aconteceu ontem no twitter.
Frases do tipo 'Faça um favor para São Paulo, mate um nordestino' nunca, nunca, nunca poderiam e/ou deveriam ser escritas. Essa frase demonstra o que há de mais abjeto no ser humano, incita a violência, revela quão baixa uma pessoa pode ser. Repúdio total.
O problema é que esse foi um crime virtual e é extremamente difícil punir esses covardes que se escondem atrás de um computador.
Quem me dera ter poderes divinos nessa hora. Transformaria cada uma dessas pessoas num jegue e daria de presente a um nordestino.
Esse tipo de coisa é que me cansa do mundo.
Aproveitem que estou indignada. E quando estou assim, escrevo. Mas quando vejo que não consigo mudar nada, caio na apatia. A desilusão e a incapacidade de mudar as coisas matam os sonhos, envenenam a alma.
Um beijo a todos vocês. Bom estar de volta. Só espero que a apatia não me vença de novo.
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