Depois da tempestade, vem o terremoto.
Assim poderiam ser descritas as vidas dos moradores do Alemão e da Vila Cruzeiro. Como se já não bastasse todo o trauma de ser refém de bandido, de ter como cotidiano a imagem de homens armados, de ver tanques de guerra invadindo o lugar onde moram, agora a população desse lugares é obrigada a agüentar os achaques da famosa 'banda podre' da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A existência da banda podre é fato e precisa ser enfrentada. Vem dessa parcela de bandidos fardados toda a culpa pela desconfiança da população em relação à polícia. A expulsão desses indivíduos é urgente. Vamos aproveitar que o Estado está mandando bandidos para as cadeias e mandar aqueles que vestem farda junto! Pacificação na PM JÁ!
A situação na comunidade é caótica, claro. Não estou pregando que comecem a expulsar PMs a torto e a direito. É necessário averiguar, pois saber quem saqueou é complicado. Mas há casos em que, realmente, foram os bandidos de farda que saquearam, além do abuso de poder, também denunciado. Mas, a própria corporação sabe bem quem faz parte da banda podre.
Já que falamos de saques, vale a pena notar que a própria população da favela é responsável por uma parte deles. Depois de um dia, as casas dos traficantes perderam até o madeiramento usado nas piscinas. Tá, é mesmo complicado reprimir o saque à casa dos traficantes, mas deveria ser feito: quem saqueia casa de traficante, pode saquear a casa do vizinho também.
Enfim, são esses os problemas que deverão ser resolvidos através da reinserção da comunidade na sociedade. E como reinserção, chamo condições básicas de saneamento, pavimentação, implantação de postos de saúde e, principalmente, EDUCAÇÃO.
No caso dos saques feitos por moradores, só a EDUCAÇÃO dá jeito.
No caso dos bandidos fardados, só a CADEIA dá jeito.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Rio, Rio, Rio, gosto de você
Gostaria de ser poeta. Se assim fosse, faria um poema como o do Mário de Andrade, só que o coração ficaria sepultado no Rio, pq é carioquíssimo. E como esse coração carioca sofreu nos últimos dias. Não consegui me afastar do computador, acompanhando a guerra na minha cidade 'adotiva'.
As emoções se misturavam: esperança, saudade, desconfiança, medo. Tudo junto, misturado, sovado e amassado.
Ver a polícia na entrada do morro é sempre preocupante, pois nunca se sabe se polícia é polícia ou se é bandido. Assim aprendi nos meus primeiros meses como carioca. Também aprendi que governante carioca só faz alguma coisa na favela quando a zona sul teme que a favela 'vá para o asfalto'.
E daí chega a confusão: ônibus e carros queimados, caos, pânico, insegurança. Cariocas lêem isso como: 'o Estado quebrou algum 'acordão' e os traficantes estão retaliando'. E continuam a vida, tentando ignorar o caos e o pânico, esperando o próximo 'acordão' entre Estado e traficantes. E continuam a vida, que não é deles: é fatiada e manipulada por esses dois grupos de, pq não dizer, bandidos.
Sempre foi assim. Até a última quinta-feira. 'Puliça' na Vila Cruzeiro? Vão invadir? Tanques? Guerra? Então, chega a imagem dos bandidos fugindo e de uma invasão 'tranqüila'. Ah! O coração se encheu de uma satisfação selvagem ao ver bandidos fugindo. Gente, BANDIDO FUGINDO! Como esperamos por esse momento. E a 'puliça' não atirou!! Como assim???!!! A 'puliça' sempre atira, sempre passa do limite de cumpridora da lei!
'Homens de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpos no chão'
Uia! Isso não aconteceu! Será que estou vendo o fim do mundo? Apocalipse NOW?!!
E uma série de imagens me deixa mais e mais espantada. População a favor da 'puliça'? Como assim, Bial?
A sementinha da esperança começa a brotar nesse coração sofrido. A cabeça tenta sufocar, matar arrancar: Nada vai mudar. Isso é cenário. Isso é show. Alguém quer alguma coisa. O que está por trás disso? A cabeça, fria e analítica, quer evitar que o coração, essa entidade que teima em ter esperança, sofra. Mas não tem jeito.
Cabeça diz: Agora estão pro Morro do Alemão; você sabe o que isso significa: carnificina, inocente morrendo, mais caos. Coração revida: vc não vê que está tudo diferente? Vc não vê que entraram na Vila Cruzeiro com um número baixo de mortos e feridos?
Morro do Alemão invadido em 2 horas. Ãh? Como assim, Bial? 1 morto. Ãh? Traficante se entregando sorrindo. Ãh?Ãh?Ãh? Não, não. Alguma coisa está errada. Ah! - diz o coração - eu devia ter escutado a cabeça... isso tá esquisito.
Hoje, o estado de espírito é confuso. Coração está suspenso. Cabeça trabalhando a mil. Só nos resta perguntar: E agora, José?
As emoções se misturavam: esperança, saudade, desconfiança, medo. Tudo junto, misturado, sovado e amassado.
Ver a polícia na entrada do morro é sempre preocupante, pois nunca se sabe se polícia é polícia ou se é bandido. Assim aprendi nos meus primeiros meses como carioca. Também aprendi que governante carioca só faz alguma coisa na favela quando a zona sul teme que a favela 'vá para o asfalto'.
E daí chega a confusão: ônibus e carros queimados, caos, pânico, insegurança. Cariocas lêem isso como: 'o Estado quebrou algum 'acordão' e os traficantes estão retaliando'. E continuam a vida, tentando ignorar o caos e o pânico, esperando o próximo 'acordão' entre Estado e traficantes. E continuam a vida, que não é deles: é fatiada e manipulada por esses dois grupos de, pq não dizer, bandidos.
Sempre foi assim. Até a última quinta-feira. 'Puliça' na Vila Cruzeiro? Vão invadir? Tanques? Guerra? Então, chega a imagem dos bandidos fugindo e de uma invasão 'tranqüila'. Ah! O coração se encheu de uma satisfação selvagem ao ver bandidos fugindo. Gente, BANDIDO FUGINDO! Como esperamos por esse momento. E a 'puliça' não atirou!! Como assim???!!! A 'puliça' sempre atira, sempre passa do limite de cumpridora da lei!
'Homens de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpos no chão'
Uia! Isso não aconteceu! Será que estou vendo o fim do mundo? Apocalipse NOW?!!
E uma série de imagens me deixa mais e mais espantada. População a favor da 'puliça'? Como assim, Bial?
A sementinha da esperança começa a brotar nesse coração sofrido. A cabeça tenta sufocar, matar arrancar: Nada vai mudar. Isso é cenário. Isso é show. Alguém quer alguma coisa. O que está por trás disso? A cabeça, fria e analítica, quer evitar que o coração, essa entidade que teima em ter esperança, sofra. Mas não tem jeito.
Cabeça diz: Agora estão pro Morro do Alemão; você sabe o que isso significa: carnificina, inocente morrendo, mais caos. Coração revida: vc não vê que está tudo diferente? Vc não vê que entraram na Vila Cruzeiro com um número baixo de mortos e feridos?
Morro do Alemão invadido em 2 horas. Ãh? Como assim, Bial? 1 morto. Ãh? Traficante se entregando sorrindo. Ãh?Ãh?Ãh? Não, não. Alguma coisa está errada. Ah! - diz o coração - eu devia ter escutado a cabeça... isso tá esquisito.
Hoje, o estado de espírito é confuso. Coração está suspenso. Cabeça trabalhando a mil. Só nos resta perguntar: E agora, José?
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Até onde se indignar
Ontem passei o dia na net. Acompanhei a repercussão - via Facebook - da polêmica dos tuiteiros preconceituosos.
Enquanto uma parte se indignava, uma outra parte minimizava. Aqueles que minimizavam o faziam por acreditar que esse pensamento é de uma pequena parte - não representativa - da população. Minha primeira pergunta: será que é uma pequena parte mesmo? Será que a eleição não foi só um estopim para que todo esse preconceito aflorasse? A menina tuiteira 'apenas' disse (escreveu) publicamente o que achava. Vários outros não se atrevem a explicitar o preconceito, embora o tenham. Cansei de ouvir esse discurso de 'o Brasil sem o Nordeste seria muito melhor', por isso tendo a achar que a parcela da população não é tão pequena assim. Uma outra parte argumentava que isso é coisa de adolescente e não se deve levar a sério, afinal, trata-se de Brasil e, além da pizza, tudo ia acabar em capa de Playboy.
Em ambos os casos, 'pregava-se' não se importar. Não é nada. Será? Não é assim que todo movimento começa pequeno? E se não há oposição, pode crescer muito rápido? Será que a história já não nos ensinou isso?
Sim, estou traçando paralelos com minha realidade. Comparo esses comentário tuiteiros ao movimento neonazi aqui na Alemanha. A diferença é que o movimento neonazi já é organizado por aqui: há partido político, eles elegem representantes, etc. Os tuiteiros preconceituosos só deram um sinal de que estão lá, dispostos a serem representados por um partido. Na briga eleitoral, vale tudo. Os tuiteiros são títulos eleitorais fáceis de conseguir e nem é tão difícil assim. Basta lançar a campanha. Já existe um movimento relativamente grande chamado 'O Sul é meu País' prontinho a fundar um partido e começar a ganhar corpo político. E muitos integrantes (não estou dizendo todos, mas muitos) usam exatamente o mesmo discurso dos tuiteiros.
Quando isso acontecer, as pessoas vão se indignar: como assim? Como pôde isso acontecer? Brasil é uma merda mesmo.
Não. Brasil não é uma merda. Ao minimizarmos manifestações como essa, estamos apenas fortalecendo e dando espaço para que isso aconteça. A responsabilidade é nossa.
Enquanto uma parte se indignava, uma outra parte minimizava. Aqueles que minimizavam o faziam por acreditar que esse pensamento é de uma pequena parte - não representativa - da população. Minha primeira pergunta: será que é uma pequena parte mesmo? Será que a eleição não foi só um estopim para que todo esse preconceito aflorasse? A menina tuiteira 'apenas' disse (escreveu) publicamente o que achava. Vários outros não se atrevem a explicitar o preconceito, embora o tenham. Cansei de ouvir esse discurso de 'o Brasil sem o Nordeste seria muito melhor', por isso tendo a achar que a parcela da população não é tão pequena assim. Uma outra parte argumentava que isso é coisa de adolescente e não se deve levar a sério, afinal, trata-se de Brasil e, além da pizza, tudo ia acabar em capa de Playboy.
Em ambos os casos, 'pregava-se' não se importar. Não é nada. Será? Não é assim que todo movimento começa pequeno? E se não há oposição, pode crescer muito rápido? Será que a história já não nos ensinou isso?
Sim, estou traçando paralelos com minha realidade. Comparo esses comentário tuiteiros ao movimento neonazi aqui na Alemanha. A diferença é que o movimento neonazi já é organizado por aqui: há partido político, eles elegem representantes, etc. Os tuiteiros preconceituosos só deram um sinal de que estão lá, dispostos a serem representados por um partido. Na briga eleitoral, vale tudo. Os tuiteiros são títulos eleitorais fáceis de conseguir e nem é tão difícil assim. Basta lançar a campanha. Já existe um movimento relativamente grande chamado 'O Sul é meu País' prontinho a fundar um partido e começar a ganhar corpo político. E muitos integrantes (não estou dizendo todos, mas muitos) usam exatamente o mesmo discurso dos tuiteiros.
Quando isso acontecer, as pessoas vão se indignar: como assim? Como pôde isso acontecer? Brasil é uma merda mesmo.
Não. Brasil não é uma merda. Ao minimizarmos manifestações como essa, estamos apenas fortalecendo e dando espaço para que isso aconteça. A responsabilidade é nossa.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Quanto tempo
Caracoles! Minha última atualização foi em 2009!
[modo preguiça detected]
Não, mentira. Não foi preguiça. Foi saco cheio. Estava de saco cheio de tudo (e ainda estou, por isso já aviso: não sei quando surgirá um novo post!).
Quando isso acontece, me isolo. Simples assim. Não quero saber o que acontece lá fora, não quero saber de política mundial, não quero saber de problemas. Mas, neste momento, me deu uma vontade enorme de dividir alguma coisa com vocês.
Primeiro: minha satisfação em ver a primeira mulher eleita 'presidenta' no Brasil. E sucessora de Lula.
Por muito, muito tempo fiquei seriamente desencantada com o PT. Os escândalos de Zé Dirceu e Genoíno (nos quais votei por toda minha vida) me abalaram demais. Mas a segunda fase do governo Lula me surpreendeu positivamente: vi o primeiro governo que FEZ algo efetivo para os mais necessitados. E este governo trabalhou em duas direções: na barriga e na cabeça dos pobres. Na barriga, porque possibilitou sim uma melhor vida para os mais pobres; na cabeça, porque nunca vi um governo melhorar tanto as condições nas faculdades e, AO MESMO TEMPO, focar tanto no ensino técnico. Ensino técnico é algo fundamental para pessoas que não têm acesso ao ensino superior.
Puxando a sardinha pro meu lado: se contrastarmos a grande diferença que existe entre a USP (governo tucano) e alguma federal, vai dar pra entender sobre o que falo. Minha querida USP está um caco. E deverá continuar assim, pois, por mais que goste do Alckmin, sei que educação não é prioridade do PSDB.
Fiquei bem feliz que o Serra não ganhou. O momento é excelente no Brasil e é hora de investir em áreas essenciais (como boa 'esquerdista', comida e educação fazem minha cabeça).
Segundo: fiquei ATERRORIZADA com os comentários preconceituosos sobre nordestinos que vi rolando no twitter. Sempre achei que isso estava mudando, que o preconceito estava diminuindo. Dou a mão à palmatória. NÃO É ASSIM.
Os comentários que li são dignos de qualquer neonazi daqui. São até piores, porque aqui eles não têm o direito de colocar pra fora a sujeirada do pensamento deles, como aconteceu ontem no twitter.
Frases do tipo 'Faça um favor para São Paulo, mate um nordestino' nunca, nunca, nunca poderiam e/ou deveriam ser escritas. Essa frase demonstra o que há de mais abjeto no ser humano, incita a violência, revela quão baixa uma pessoa pode ser. Repúdio total.
O problema é que esse foi um crime virtual e é extremamente difícil punir esses covardes que se escondem atrás de um computador.
Quem me dera ter poderes divinos nessa hora. Transformaria cada uma dessas pessoas num jegue e daria de presente a um nordestino.
Esse tipo de coisa é que me cansa do mundo.
Aproveitem que estou indignada. E quando estou assim, escrevo. Mas quando vejo que não consigo mudar nada, caio na apatia. A desilusão e a incapacidade de mudar as coisas matam os sonhos, envenenam a alma.
Um beijo a todos vocês. Bom estar de volta. Só espero que a apatia não me vença de novo.
[modo preguiça detected]
Não, mentira. Não foi preguiça. Foi saco cheio. Estava de saco cheio de tudo (e ainda estou, por isso já aviso: não sei quando surgirá um novo post!).
Quando isso acontece, me isolo. Simples assim. Não quero saber o que acontece lá fora, não quero saber de política mundial, não quero saber de problemas. Mas, neste momento, me deu uma vontade enorme de dividir alguma coisa com vocês.
Primeiro: minha satisfação em ver a primeira mulher eleita 'presidenta' no Brasil. E sucessora de Lula.
Por muito, muito tempo fiquei seriamente desencantada com o PT. Os escândalos de Zé Dirceu e Genoíno (nos quais votei por toda minha vida) me abalaram demais. Mas a segunda fase do governo Lula me surpreendeu positivamente: vi o primeiro governo que FEZ algo efetivo para os mais necessitados. E este governo trabalhou em duas direções: na barriga e na cabeça dos pobres. Na barriga, porque possibilitou sim uma melhor vida para os mais pobres; na cabeça, porque nunca vi um governo melhorar tanto as condições nas faculdades e, AO MESMO TEMPO, focar tanto no ensino técnico. Ensino técnico é algo fundamental para pessoas que não têm acesso ao ensino superior.
Puxando a sardinha pro meu lado: se contrastarmos a grande diferença que existe entre a USP (governo tucano) e alguma federal, vai dar pra entender sobre o que falo. Minha querida USP está um caco. E deverá continuar assim, pois, por mais que goste do Alckmin, sei que educação não é prioridade do PSDB.
Fiquei bem feliz que o Serra não ganhou. O momento é excelente no Brasil e é hora de investir em áreas essenciais (como boa 'esquerdista', comida e educação fazem minha cabeça).
Segundo: fiquei ATERRORIZADA com os comentários preconceituosos sobre nordestinos que vi rolando no twitter. Sempre achei que isso estava mudando, que o preconceito estava diminuindo. Dou a mão à palmatória. NÃO É ASSIM.
Os comentários que li são dignos de qualquer neonazi daqui. São até piores, porque aqui eles não têm o direito de colocar pra fora a sujeirada do pensamento deles, como aconteceu ontem no twitter.
Frases do tipo 'Faça um favor para São Paulo, mate um nordestino' nunca, nunca, nunca poderiam e/ou deveriam ser escritas. Essa frase demonstra o que há de mais abjeto no ser humano, incita a violência, revela quão baixa uma pessoa pode ser. Repúdio total.
O problema é que esse foi um crime virtual e é extremamente difícil punir esses covardes que se escondem atrás de um computador.
Quem me dera ter poderes divinos nessa hora. Transformaria cada uma dessas pessoas num jegue e daria de presente a um nordestino.
Esse tipo de coisa é que me cansa do mundo.
Aproveitem que estou indignada. E quando estou assim, escrevo. Mas quando vejo que não consigo mudar nada, caio na apatia. A desilusão e a incapacidade de mudar as coisas matam os sonhos, envenenam a alma.
Um beijo a todos vocês. Bom estar de volta. Só espero que a apatia não me vença de novo.
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