Sobrevivi.
Há ocasiões que me fazem acreditar em 'karma'. Quem conhece a história das minhas relações com Alemanha e alemães vai concordar.
Há mais ou menos 15 anos tento me afastar de tudo o que se refere à Alemanha. Sem sucesso. Quanto mais tento me afastar, mas a vida parece me cercar de alemães. Me lembro até hoje das minhas palavras a um professor da Universidade: 'Quando eu conseguir meu diploma, não quero mais falar alemão, não quero mais ver alemães, não quero mais ouvir alemão.' Paguei a língua! Logo em seguida, comecei a dar aulas de português para estrangeiros e 99% dos meus alunos eram alemães. Dentre esses 99% estava meu então futuro marido.
Sim, apenas 1 ano depois dessas palavras, eu me apaixonei por um alemão. Tudo bem, meu marido é alemão made in Paraguay, mas com ele veio o contato eterno com alemães e Alemanha. Conheci vários tipos: os típicos, os 'falsificados', os 'iluminados', os 'medievais'... E também absorvi muito da mentalidade, inclusive a mania de 'colocar em caixinhas', como acabei de fazer.
Sim, apenas 6 anos depois dessas palavras, eu estava morando na Alemanha, onde fiquei por 9 longos anos. Em Nürnberg, vivi meu calvário. Olhando para trás, pelo que espero ser a última vez, tenho que, de novo, acreditar em 'karma'. Lá, cheguei à conclusão que sou 'para-raio' de maluco e que devo ter assumido uma missão talvez maior do que eu pudesse suportar. Quase enlouqueci. E as feridas ainda trago abertas. Ainda sangram. Ainda me desestabilizam.
Sim, apenas 15 anos depois dessas palavras, vejo meu filho se tornar mais e mais alemão.
Mas a vida não é tão cruel. Ela coloca pessoas no seu caminho que vão te ajudar a carregar este fardo. Meu marido foi uma dessas pessoas. Agora encontrei uma outra. Uma pessoa iluminada, uma pessoa especial. Que bom.
Toda essa bobagem que escrevi acima foi desencadeada por uma reunião de pais na nova escola, claro, alemã. Embora o público seja totalmente diferente daquele que encontrei em Nürnberg - afinal, aqui em Londres, somos todos estrangeiros - ainda assim dá pra reconhecer velhos padrões. E como odeio esses padrões! Como detesto certos 'discursos'! Como tenho repulsa a certas posturas! Mas, não quero me concentrar nisso. Preciso continuar sobrevivendo. Vou fechar os olhos para essas coisas e me concentrar nas boas. Essa pessoa iluminada, por exemplo.
O sol está brilhando lá fora. Daqui a pouco, vou ter aula de inglês. Minha professora, outra pessoa especial, vai chegar e vou me concentrar em aprender um novo idioma, para começar minha nova vida em um novo lugar. Ao contrário do que aconteceu na Alemanha, aqui minhas experiências com os 'nativos' tem sido impressionantemente positivas. Os 'frios' ingleses não são tão frios assim. Depois de 9 anos, consigo de novo me sentir 'em casa'. Consigo de novo me sentir querida. Quero muito - e vou - fazer desse novo lugar 'minha casa'. Claro que vou continuar a carregar meu 'karma' alemão (hahahaha), mas agora acho que tenho de aprender novas coisas. Acho que o que a vida quer é que eu aprenda a amar essas pessoas. Eu não sei como, mas vou tentar.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Libertas quae sera tamen
Oi, pípol.
Sei que quase ninguém lê meu blog. Também não o atualizo constantemente. Também não o divulgo. Também não me importo. Esse blog é quase que um diário particular. Aqui escrevo só quando algo me toca particularmente.
Bom, hoje resolvi me apropriar do bordão mineiro para falar de Londres.
Todos sabem que minha experiência em Nürnberg foi traumática. Por quase 3 anos, mal saía de casa, por causa de uma fobia enorme, que gerava até ataques de pânico, com direito a suores, taquicardia e o escambau.
Essa fobia ainda carrego comigo. Feridas demoram a cicatrizar. Mas estou lutando fortemente contra isso. Hoje, pela primeira vez, fui de carro sozinha (dirigindo do lado 'errado') ao supermercado. Acordei agitadíssima. Cada vez que pensava em sair, sentia os já conhecidos sintomas: suores, taquicardia, falta de ar. Mas fui.
E foi bom. Foi muito bom. Devagar a sensação de liberdade começa a se enraizar de novo em mim. Fiz minhas compras, falei um pouco com a caixa do supermercado (uma senhora chamada Judith) e voltei para casa. No estacionamento, um funcionário se aproximou de mim e ofereceu ajuda. Tudo isso aconteceu com muita educação, não me senti oprimida, não me senti diferente, não me senti inferior em nenhum momento. A sensação é inebriante.
Sinto alegria nesses pequenos fatos. Gente, sou livre de novo!! Reconheço de novo o mundo que sempre acreditei que existisse, mas que quase conseguiram destruir em Nürnberg. As pessoas aqui são educadas, sempre sorriem quando falam com você (claro que há exceções. Sempre há.)
Minhas reações atuais dizem muito sobre como eu estava em Nü. Meus joelhos melhoraram muito, meu cabelo parou de cair, estou conseguindo fumar menos. Sábado vou fazer inscrição numa academia. Meu inglês está deslanchando. Estou renascendo como cidadã.
Obrigada, Londres!
Sei que quase ninguém lê meu blog. Também não o atualizo constantemente. Também não o divulgo. Também não me importo. Esse blog é quase que um diário particular. Aqui escrevo só quando algo me toca particularmente.
Bom, hoje resolvi me apropriar do bordão mineiro para falar de Londres.
Todos sabem que minha experiência em Nürnberg foi traumática. Por quase 3 anos, mal saía de casa, por causa de uma fobia enorme, que gerava até ataques de pânico, com direito a suores, taquicardia e o escambau.
Essa fobia ainda carrego comigo. Feridas demoram a cicatrizar. Mas estou lutando fortemente contra isso. Hoje, pela primeira vez, fui de carro sozinha (dirigindo do lado 'errado') ao supermercado. Acordei agitadíssima. Cada vez que pensava em sair, sentia os já conhecidos sintomas: suores, taquicardia, falta de ar. Mas fui.
E foi bom. Foi muito bom. Devagar a sensação de liberdade começa a se enraizar de novo em mim. Fiz minhas compras, falei um pouco com a caixa do supermercado (uma senhora chamada Judith) e voltei para casa. No estacionamento, um funcionário se aproximou de mim e ofereceu ajuda. Tudo isso aconteceu com muita educação, não me senti oprimida, não me senti diferente, não me senti inferior em nenhum momento. A sensação é inebriante.
Sinto alegria nesses pequenos fatos. Gente, sou livre de novo!! Reconheço de novo o mundo que sempre acreditei que existisse, mas que quase conseguiram destruir em Nürnberg. As pessoas aqui são educadas, sempre sorriem quando falam com você (claro que há exceções. Sempre há.)
Minhas reações atuais dizem muito sobre como eu estava em Nü. Meus joelhos melhoraram muito, meu cabelo parou de cair, estou conseguindo fumar menos. Sábado vou fazer inscrição numa academia. Meu inglês está deslanchando. Estou renascendo como cidadã.
Obrigada, Londres!
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