Oie!
Estive fora por um tempo... volto hoje e com tristeza comunico que o sol nos abandonou aqui nas terras germânicas. Chuva, friozinho... ai, ai...
O meu grande e idolatrado amigo Celso (Salve, Salve!) me perguntou sobre os partidos políticos alemães. Bom, eu vou escrever sobre o pouco que sei aqui. Qualquer um pode complementar ou corrigir (farei erratas!). Afinal, estamos numa democracia!
Sim, vivemos numa democracia. E como a democracia dá trabalho! Prova disso é a Alemanha. No Congresso estão representadas várias minorias e à cada lei a ser aprovada ou medida a ser tomada todos os representantes dessas minorias se manifestam, defedendo os seus interesses, o que torna a coisa beeem vagarosa.
O sistema aqui é parlamentar. Ou seja, o chefe de governo é indicado pelo partido que tem a maioria no congresso. Claro que esse chefe é pré-definido, ou seja, você sabe de antemão que se votar no partido A, estará votando no candidato A. Existe um presidente, mas é só pra inglês ver (desculpa, falo mesmo!).
Pois bem, quantos partidos há na Alemanha? Os maiores são CDU (Unidão Democrática Cristã) e SPD (Partido da Social-Democracia Alemã). Em terceiro lugar (quesito número de partidários e cadeiras eleitas) é o FDP (Partido Democrata Liberal ou Liberal Democrata, como queiram. Também podem adaptar a sigla à realidade brasileira: Filhos Da Puta. Não fica muito longe! :D Hehehehe). Um capítulo à parte é o Die Grünen, os Verdes. Partido ecologista, não-conservador, aberto. Então vêm os dois extremos: Die Linke Partei (Partido da Esquerda - radicais de esquerda, pra falar a verdade) e representando a extrema direita Die Republikaner e NPD (Republicanos e Partido da Nacional-Democracia Alemã. Abuso isso de usarem o nome Democracia em vão! Vão arder no mármore do inferno). Atualmente um partido bem pequeno está adquirindo força: Freie Wähler (confesso que não sei traduzir isso. Algo como Eleitores Livres).
Vamos começar pelos extremos porque é mais fácil explicar quem são.
A esquerda representada pelo Linke é a esquerda radical, que defende o socialismo a qualquer custo. São extremamente renegados por aqui. Nenhum partido quer fazer alianças com o Linke. Recentemente houve um episódio na eleição estadual de Hessen (estado onde fica a cidade de Frankfurt) em que o SPD obteve uma maioria absoluta muito apertada, o que inviabilizaria sua atuação , precisando recorrer a alianças. A candidata do SPD, Andrea Ypsilanti, no desespero para formar maioria, disse que se se aliaria ao Linke: escândalo nacional. Dentro do próprio SPD houve muitos (senão, a maioria) que ficaram contra a postura de Ypsilanti. Ela não conseguiu resolver o problema, quase um ano de ingovernabilidade no estado. O candidato do CDU, Roland Koch (http://www.roland-koch.de/ ), um político super-conservador, ganhou as próximas eleições com grande vantagem e o SPD perdeu muita influência, em todo o país.
Os Republicanos são extremamente conservadores e prometem melhorias na qualidade de vida dos alemães com a expulsão dos estrangeiros. Na época eleitoral, é comum ver cartazes com os dizeres 'Ausländer raus' ('Fora estrangeiros') coroados com a sigla deste 'nobre' partido. Sinceramente, não sei a diferença entre Republikaner e NPD: os dois pregam a mesma coisa. Só que um não tem coragem de colocar Nacionalismo no nome. NPD é o partido neonazista. Precisa explicar mais??
Freie Wähler é uma incógnita. No princípio era uma 'Verein' (clube, associação) que virou partido político. Quer se mostrar diferente de tudo que existe (CDU, SPD e FDP) mas não tem consistência ideológica a meu ver. Um escândalo surgiu há poucos dias: descobriram que neonazis se filiaram ao partido. Hehehe... Agora estão discutindo o que fazer: se expulsam ou não os nazis.
Nossos queridos Grüne, Verdes, o partido mais simpático da política alemã, a meu ver. Die Grünen são os ecologistas, uma esquerda esclarecida, muito liberais em termos sociais, uma opção que vem se tornando disputada por aqui. Os grandões (CDU e SPD) se aliam, cada vez mais, aos verdinhos. Joschka Fischer é o seu representante mais conhecido (http://de.wikipedia.org/wiki/Joschka_Fischer ). Infelizmente, ainda não são grandes suficiente como CDU e SPD. Mas já conseguiram o mesmo 'status' do FDP. UHU! Mas, como nem tudo é perfeito, é comum ver os eco-radicais tentando colocar as manguinhas de fora... hehehehehehehe
Daí vem o centrão: SPD, CDU, FDP. Como centro é centro, vou fazer uma associação APROXIMADA com os partidos brasileiros para que vocês tenham uma noção das diferenças. Mas, deixo bem claro: não é a mesma coisa! Os partidos aqui são mais consistentes do que no Brasil e é raro que um político mude de partido (acontece, mas é raro!)
FDP seria mais ou menos os liberais, no Brasil. Defende claramente o lado do patrão, do empresariado. SPD seria um PSDB, levemente melhorado, pois aqui vigora a fidelidade partidária e alguns políticos que se dizem PSDB realmente não poderiam engrossar as fileiras de um partido sério por aqui. CDU é como PFL, mas também melhorado: pelo menos eles definem claramente o que querem, embora as definições tenham contornos bem imprecisos, quase borrados. hahahahaha
Mas, verdade seja dita (e eu como boa libriana, prezo muito o julgamento imparcial) a política na Alemanha é levada mais a sério do que é no Brasil. Não que seja o ideal, mas certos comportamentos cara-de-peroba-do-campo não são encontrados por aqui. Herr Stoiber, ex-'governador' da Bavária (sim, eu falo Bavária e daí??), sumiu do mapa após suas várias trapalhadas. Herr Beckstein (outro ex-governador bávaro, trapalhão como ele só, xenófobo, parcial e %$#! ao cubo, também sumiu do mapa - se eu fosse religiosa, diria graças aos céus. Mas como sou mais bruxa que crente, digo graças aos poderes do inexistente Merlin!). Quem nos dera que o mesmo acontecesse com os Malufs e Collors da nossa política, que sempre se reerguem das sombras :(
Embora a contemplação da política seja algo extremamente desanimador, ainda continuo acreditando na democracia como a melhor forma de governo. Não sei se meu ódio ao autoritarismo me faz tão generosa a ponto de aceitar um partido como NPD. Por um lado, entendo que fica mais fácil controlar esse partido sendo ele oficial. Por outro lado, a revolta me sobe à garganta quando penso que eles são livres para propagar livremente certos conceitos que aterram minha alma iluminista e minha firme convicção de que os homens são iguais.
Fica aí aberta a questão...
Miguinha Tonks,
ResponderExcluirMuitíssimo gradicido pela ótema explicação!
Realmente, parece haver algumas vantagens na política partidária alemã:
1) os partidos são mais consistentes, ideologicamente falando (aqui na terrinha salvam-se os pequenos partidos de esquerda e só);
2) NÃO HÁ UM PMDB, o que é um grande ganho!
3) PV e partidos sociais-cristãos são sérios (aqui, são só nomes de partidos, sem representatividade);
4) Aí há uma social-democracia; aqui...
5) interessante como os partidos de extrema-direita usam a palavra "democrata" em seus nomes...
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Aqui na terrinha, a coisa não é tão boa como aí, mas, desde que o STF definiu que o mandato parlamentar pertence ao partido e não ao deputado, pelo menos há mais temor em mudar de partido, como sempre aconteceu no Brasil. Já é um bom avanço!
Miguinho Beda,
ResponderExcluirAcho que no que se refere a social-democracia, somos a mesma coisa: aqui e aí. O que faz a Alemanha especial (e isso é Alemanha, não é Europa) é o chamado Estado Social. O governo ajuda muito as pessoas de baixa-renda. Infelizmente, parece que vamos nos encontrar no meio do caminho: o Brasil começou a investir mais nisso (vide as milhares de Bolsa isso, bolsa aqui que pipocam por aí, criação do governo FHC, expansão melhorada do governo Lula) e a Alemanha está cortando cada vez mais a ajuda social por aqui.
Como resultado desse 'aperto de cinto', partidos de extrema-direita e extrema-esquerda estão ganhando mais força.
Mas esse Estado Social forte só tem mesmo na Alemanha, o único país socialista que deu certo!
:D
Tomara que o estado social alemão não seja como o brasileiro. Os programas sociais não são ruins, ao contrário. Assistencialismo não é o ideal, mas é melhor do que ter milhões de pessoas passando fome.
ResponderExcluirO problema é o carater eminentemente eleitoreiro que esses programas assumem.