Oi, pípol!
Acabei de ler Harry Potter - pela nonagésima-quinta vez!
Li todos os sete livros seguidos. Foi uma delícia reler. Como sempre disse, adoro uma estória bem-contada. E Harry Potter é, definitivamente, uma estória bem-contada!
Seria exagero classificar a obra como uma obra-prima literária. Sequer ouso colocar-lhe o rótulo de literatura. Mas que é prazeirosa, isso é.
Como vocês sabem, fiz Letras. Tive até uma chance de ingressar pela literatura (o que muito me honrou!), mas me decidi pela lingüística. Sabem por quê? Porque ao se tornar crítico literário, você quase que abdica do prazer de ler por ler. Sempre precisa ter o pé atrás, sempre precisa julgar, nunca pode se deixar levar pelo prazer. Não. Definitivamente seria uma crítica literária medíocre, pois me deixo arrebatar mesmo.
Como no caso de Harry Potter. Acabei, há apenas algumas horas, o último livro. Confesso que ainda estou tomada pela atmosfera potteriana: me sinto em Hogwarts; sinto que se virar a cabeça, verei corujas me trazendo cartas; quase que sinto a presença de Dumbledore; tenho ainda a sensação de que, a qualquer momento, verei entrar pela porta Rony e Hermione, discutindo por qualquer bobagem. Hehehehe...
Não há como negar: meu personagem favorito é Dumbledore. O velho diretor de Hogwarts, uma nova roupagem de Merlin, sempre me encantou. Há tantas frases dele das quais gosto e que exprimem também meu modo de pensar, que nem ouso enumerá-las. Dumbledore é a representação da sabedoria profunda. Daquela sabedoria que consegue ver, através da realidade, a força-motriz que gira o mundo e coordena forças que não controlamos. Humano até seu último fio de cabelo, é sabio suficiente para se olhar no espelho e ver exatamente a imagem que lhe é apresentada. Hehehehehe... acho que finalmente achei um guru! Hahahahaha
Sempre gostei desse universo bruxo. Quando tinha 15 aninhos, li, pela primeira vez, as Brumas de Avalon (preciso recomprar esses livros... como sempre, emprestei não sei pra quem e a pessoa não me devolveu!). Me lembro de procurar Avalon por entre as nuvens durante dias. Embora já trabalhasse na época, não consegui desgrudar do livro e perdi algumas noites de sono. É, eu sei: outra obra que não pode ser considerada literária. É apenas outra estória bem-contada.
Mas Harry Potter é um pouquinho diferente. Muitos não conseguiram passar pelos 2 primeiros livros e saem por aí, criticando a obra. Mal sabem eles que Harry Potter 1 e 2 são apenas uma pequenina parte da estória. Os livros 1 e 2 narram apenas a descoberta por Harry de um novo mundo. É o encantamento, o arrebatamento, a esperança, a ingenuidade. A partir do terceiro, as coisas se tornam mais sombrias. No quarto, você se desespera. No quinto, você acha que não pode piorar. No sexto, tem a certeza de que vai infartar. No sétimo, apesar de entender muito mais (e também de se decepcionar com algumas partes), você fica curioso. O ciclo se fecha, mas você continua querendo mais. Hehehehe
Há ainda outras críticas. Milhões de críticas. Mas os críticos são chatos mesmo. Hehehehe. Harry Potter é produto da sua época. Não pode ser lido como quem espera ler Goethe. Primeiro, porque não é 'nobre literatura'. Segundo, porque foi feito para jovens da nossa época: época rápida, visual, cinematográfica, dinâmica. O mundo gira mais rápido nesse nosso tempo. Informações se espalham em segundos. Como pedir que uma obra para o universo juvenil (atenção: Harry Potter não é obra para crianças, pelo menos a partir do terceiro livro!) se concentre na contemplação? O mote do nosso tempo é ação. E a autora de Harry Potter entendeu isso muito bem.
Além de imprimir um ritmo alucinante à sua estória, a autora não se esquece de abordar temas bem atuais na nossa sociedade. O papel da imprensa e da manipulação governamental impregnam o livro a partir do 4o. episódio. Referências a ditaduras permeiam o livro: desde o ideal de Voldemort (Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado) de criar um mundo onde os bruxos 'puros' dominem até a referência clara a Salazar (o ditador português. Não se esqueçam que a autora morou em Portugal). O fato de se usar como critério bruxo puro = bruxo bom evoca claramente o nefasto incidente nacional-socialista alemão. Está tudo aí, num livro para crianças!
Me permita um comentário quase off-topic, já que não li os volumes da série.
ResponderExcluir"Como vocês sabem, fiz Letras. Tive até uma chance de ingressar pela literatura (o que muito me honrou!), mas me decidi pela lingüística. Sabem por quê? Porque ao se tornar crítico literário, você quase que abdica do prazer de ler por ler. Sempre precisa ter o pé atrás, sempre precisa julgar, nunca pode se deixar levar pelo prazer. Não. Definitivamente seria uma crítica literária medíocre, pois me deixo arrebatar mesmo."
Eu não sei se o crítico literário se torna um chato, se abidica do prazer de ler, etc, pois não sou um, mas posso dizer que com um linguista ocorre bem o contrário: a pessoa, ao mesmo tempo que se interessa pelos inúmeros fenômenos linguisticos, ela adquire também uma "leveza" em relação à língua, em relação à preescrição, ao "escrever bem", etc, etc. Como eu digo: linguista é o bicho mais desencando que existe!
Hehehehehe
ResponderExcluirDeve ser por isso que fui ser lingüista, Celso!
As pessoas que faziam pós em Teoria Literária e afins eram extremamente chatas em relação à Literatura: tudo deveria ser alta literatura, blablabla
Não é minha praia! :D